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Terapia hormonal da menopausa: benefícios, riscos e individualização

Foto do escritor: AlfaClinic
AlfaClinic
7 de mar. de 2022
4 min de leitura
Mulher na menopausa com representação integrada do cérebro, da coluna, da pelve e dos ossos

A menopausa é uma etapa natural da vida da mulher, marcada pela redução progressiva da produção de estrogênio e progesterona. Essa transição pode provocar ondas de calor, sudorese noturna, alterações do sono e do humor, ressecamento vaginal, sintomas urinários, redução da libido, perda de massa óssea e mudanças na composição corporal.


A terapia hormonal da menopausa pode ser uma opção eficaz para aliviar sintomas e proteger a saúde em situações específicas. A indicação, porém, deve ser individualizada, considerando idade, tempo desde a menopausa, intensidade dos sintomas, antecedentes pessoais e familiares, exames e preferências da paciente.


Quais benefícios podem ser esperados?


  • Redução das ondas de calor e da sudorese noturna.

  • Melhora do sono e da qualidade de vida.

  • Alívio do ressecamento vaginal, dor nas relações e parte dos sintomas urinários relacionados à síndrome geniturinária da menopausa.

  • Prevenção da perda de massa óssea e redução do risco de fraturas enquanto o tratamento está em uso.

  • Possível melhora da disposição, do bem-estar e da função sexual em mulheres adequadamente avaliadas.


Existe uma janela de oportunidade?


Em geral, a relação entre benefícios e riscos tende a ser mais favorável quando a terapia é iniciada antes dos 60 anos ou nos primeiros 10 anos após o início da menopausa, desde que não existam contraindicações. Isso não significa que toda mulher precise usar hormônios, nem que o tratamento esteja automaticamente proibido depois desse período. A decisão exige avaliação clínica individual.


O tratamento é igual para todas?


Não. A escolha depende dos sintomas predominantes, da presença ou ausência do útero, da via de administração, da dose e do perfil de risco. Mulheres com útero geralmente precisam associar um progestagênio para proteção do endométrio. A via transdérmica, por adesivo ou gel, pode ser preferível em alguns cenários por apresentar características metabólicas e trombóticas diferentes da via oral.


Quando as queixas são predominantemente vaginais ou urinárias, tratamentos locais podem ser suficientes. A avaliação também deve considerar pressão arterial, perfil cardiovascular e metabólico, histórico de trombose, saúde mamária, sangramentos e demais condições clínicas.


Proteção dos ossos e prevenção da osteoporose


A queda do estrogênio acelera a reabsorção óssea, sobretudo nos primeiros anos após a menopausa. A terapia hormonal reduz a perda de densidade mineral óssea e o risco de fraturas enquanto está em uso, benefício especialmente relevante em mulheres com menopausa precoce ou insuficiência ovariana prematura, quando indicada e na ausência de contraindicações.


A proteção óssea deve fazer parte de um plano mais amplo: ingestão adequada de proteínas e cálcio, correção de deficiência de vitamina D, exercícios resistidos e de impacto conforme a condição clínica, preservação da massa muscular, prevenção de quedas, abandono do tabagismo e moderação do álcool. A densitometria óssea é solicitada conforme idade e fatores de risco.


Em mulheres com osteoporose estabelecida ou alto risco de fratura, a terapia hormonal não substitui automaticamente os medicamentos específicos para osteoporose. A escolha depende da avaliação individual.


Menopausa, cérebro e saúde cognitiva


O cérebro também responde às oscilações hormonais. Durante a transição menopausal, algumas mulheres relatam dificuldade de concentração, lapsos de memória, sensação de “névoa mental”, alterações do sono e do humor. Muitos desses sintomas podem ser transitórios e também sofrer influência do estresse, da ansiedade, de distúrbios do sono e de outras condições clínicas.


Pesquisas lideradas pela neurocientista Dra. Lisa Mosconi descrevem a menopausa como uma transição neuroendócrina e investigam o papel do estrogênio no metabolismo energético cerebral, nas redes de memória e em mecanismos de neuroproteção.


Estudos observacionais e análises recentes sugerem que a terapia hormonal iniciada durante a transição menopausal ou nos primeiros anos após a menopausa pode estar associada, em alguns grupos, a menor risco futuro de doença de Alzheimer e outras demências. Os resultados variam conforme idade, momento de início, formulação, via de administração e perfil individual, e uma associação observacional não comprova prevenção.


Ensaios que iniciaram terapia em mulheres mais velhas, especialmente após os 65 anos, não demonstraram proteção cognitiva e, em alguns contextos, observaram aumento do risco de demência. Por isso, a terapia hormonal não é indicada exclusivamente para prevenir ou tratar declínio cognitivo, doença de Alzheimer ou demência. Quando existe indicação clínica para o tratamento, a possível repercussão cerebral pode integrar uma conversa individualizada sobre benefícios e riscos.


A proteção da saúde cerebral também depende de sono adequado, atividade física, controle da pressão arterial, diabetes e obesidade, ausência de tabagismo, alimentação equilibrada, tratamento da depressão, correção de perda auditiva e manutenção de vínculos sociais e estímulo cognitivo.


Quais são os principais riscos?


Os riscos variam conforme a idade, o tempo desde a menopausa, a formulação, a dose, a via de administração, o tempo de uso e o perfil clínico. Entre os pontos avaliados estão tromboembolismo, acidente vascular cerebral, doença cardiovascular, câncer de mama e alterações do endométrio. O risco absoluto pode ser baixo em mulheres saudáveis mais jovens, mas precisa ser discutido de forma transparente.


História de câncer hormônio-dependente, sangramento vaginal sem diagnóstico, trombose ou evento cardiovascular recente, doença hepática ativa e outras situações específicas exigem avaliação especializada e podem contraindicar a terapia sistêmica.


Terapia hormonal causa ganho de peso?


A menopausa pode favorecer aumento de gordura abdominal, perda de massa muscular e mudanças metabólicas, mas a terapia hormonal não é considerada causa direta de ganho de peso. Ela também não é tratamento para emagrecimento. O cuidado deve integrar alimentação, atividade física, preservação muscular, sono e manejo das condições metabólicas.


Por quanto tempo pode ser usada?


Não existe um prazo único para todas as mulheres. A continuidade deve ser reavaliada periodicamente, considerando benefícios, riscos, sintomas persistentes e preferências. A menor dose eficaz costuma ser utilizada, com ajustes ao longo do acompanhamento.


E quando a terapia hormonal não é indicada?


Existem alternativas não hormonais para ondas de calor e outros sintomas, além de hidratantes e lubrificantes vaginais, intervenções comportamentais e tratamentos direcionados. A escolha também deve ser personalizada.


Não existe uma terapia hormonal ideal para todas as mulheres. Existe o tratamento mais adequado para cada mulher, em cada momento da vida.

Uma consulta cuidadosa permite compreender sintomas, riscos e objetivos, definir exames quando necessários e construir uma estratégia de acompanhamento segura e baseada em evidências.


Referências principais



Revisão sobre cérebro e menopausa: Mosconi e colaboradores (2025)


Conteúdo informativo. A avaliação médica individual é indispensável para diagnóstico e decisão terapêutica.


Dra. Aline Teixeira Bueno Muniz | Ginecologia, Obstetrícia e Uroginecologia | CRM-SP 99.055 | RQE 25.109

 
 
 

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